lunes, abril 09, 2007

Porto


É numa rua bizarra/A casa da Mariquinhas/Tem na sala uma guitarra/E janelas com tabuinhas/
Vive com muitas amigas/Aquela de quem vos falo/E não há maior regalo/Que a vida de raparigas/É doida pelas cantigas/Como no campo a cigarra/Se canta o fado à guitarra/De comovida até chora/A casa alegre onde mora/É numa rua bizarra/Para se tornar notada/Usa coisas esquesitas/Muitas rendas, muitas fitas/Lenços de cor variada.Pretendida, desejada/Altiva como as rainhas/Ri das muitas, coitadinhas/Que a censuram rudemente/Por verem cheia de gente/A casa da Mariquinhas
É de aparência singela/Mas muito mal mobilada/E no fundo não vale nada/O tudo da casa dela/No vão de cada janela/Sobre coluna, uma jarra/Colchas de chita com barra/Quadros de gosto magano/Em vez de ter um piano/Tem na sala uma guitarra
P'ra guardar o parco espólio /Um cofre forte comprou/E como o gaz acabou/Ilumina-se a petróleo.Limpa as mobílias com óleo/De amêndoa doce e mesquinhas/Passam defronte as vizinhas/P'ra ver o que lá se passa/Mas ela tem por pirraça/Janelas com tabuinhas

4 comentarios:

Mariam shall die dijo...

Se ha muerto Vonnegut.
Dios le bendiga Mr. Vonnegut jr.!!!!

Annushka dijo...
Este comentario ha sido eliminado por el autor.
Annushka dijo...

www.kurtvonnegut.com

desconvencida dijo...

¿Qué tal todo, Ana? ¡A ver cuándo nos vemos!

¿Vais a ir al Summercase en Madrid? Yo ya tengo mi entrada...